A chuva ácida e os monumentos históricos

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No último dia 19 de outubro de 2019, a turma do primeiro ano do Ensino Médio realizou visita técnica orientada no Santuário Basílica do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas/MG. A iniciativa dos professores de História e Química teve como objetivo a verticalização do conteúdo estudado em sala de aula e as discussões em torno dos debates acerca da preservação do Patrimônio Histórico.

Na disciplina de História, os alunos estudaram vários estilos artísticos em momentos históricos diferentes. Dentre esses, foram analisados o Barroco que surgiu na Europa no século XVI. Profundamente influenciado pela Reforma Católica, foi difundido nas possessões ibéricas, chegando à região das Minas no século XVIII. Relaciona-se, neste momento, com a matéria de América Portuguesa, em especial com os eixos temáticos sociedade, cultura e economia na região das Minas.

Em Química, a turma analisou as reações químicas mediante o estudo das funções inorgânicas.  Dentre elas, a formação da chuva ácida a partir da reação dos óxidos ácidos (SO3, NO2), gases presentes na atmosfera poluída e a água da chuva. Levantou-se, então, a hipótese de possível deterioração de algumas obras de arte em decorrência da chuva ácida. Para isso, os discentes deveriam, a partir das fórmulas de composição das obras de arte, apresentar as reações químicas possíveis. O mármore (carbonato de cálcio-CaCO3) ou a pedra-sabão (Na2CO3), quando em contato com a chuva ácida reage com a mesma, transformando o carbonato presente na constituição de tais minerais em gás carbônico e água e formando um novo sal, solúvel em água. Além disso, foi discutido com os alunos os grandes prejuízos causados ao meio ambiente. O que se percebeu também, que parte dos danos existentes podem ter origem em outras reações químicas, em especial, com os liquens que se encontram nas peças. Estes são formados por uma associação mutualística de fungos e algas, alguns tipos sobrevivendo em locais de grande stress ecológico. Trata-se de agentes nocivos para as obras de arte, pois os liquens liberam substâncias ácidas que, do mesmo modo, podem reagir com os carbonatos presentes em tais rochas produzindo um novo sal, gás carbônico e água. E, como foi dito antes, tal reação seria profundamente danosa à peça pois o sal formado é bastante solúvel em água, provocando, do mesmo modo, maior degradação do objeto.

Os professores proponentes do projeto articularam-se em torno da ideia de Preservação do Patrimônio. A característica do barroco, como por exemplo, movimento, conjunto, simetria, curva e contracurva, as possíveis concepções do mestre Antônio Francisco Lisboa ao conceber o conjunto dos profetas tão harmonioso, aliados aos debates de química, fomentaram uma discussão in loco com os alunos. E, para terminar o encontro foi proposta a seguinte questão: como preservar um patrimônio tão rico para as gerações futuras?

Nos próximos encontros, os discentes realizarão algumas experiências no laboratório da escola utilizando, em escala menor, peças de pedra sabão para demonstrar o que na teoria já conhecem. Devem como resultado, apresentar um texto argumentativo propondo ações para a preservação deste rico patrimônio.

Ter a possibilidade de ver a aplicação prática das teorias levam a um aprendizado mais dinâmico e prazeroso. Isso desperta nos alunos interesse pelos conteúdos e maior facilidade em lidar com conceitos e fórmulas muitas vezes abstratas. Ao apresentar para a turma do 1º ano do Ensino Médio determinados problemas e solicitando-os que apresente possíveis soluções, os discentes acabam desenvolvendo certa autonomia intelectual, articulam diversos conhecimentos em um único discurso e já os prepara para exercerem, criticamente, sua posição de agentes históricos, potencializando-os ao pleno exercício da cidadania.

Maísa Leonora da Silva Gouvêa

Prof. de Química do CNSP

Herinaldo Alves

Prof. de História do CNSP

 

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